Quem já comprou ou vendeu um carro usado sabe: a parte mais chata da negociação não é nem discutir o preço, e sim entender como faz a bendita transferência.
Uns amigos falam em “DUT verde”, outros já citam “ATPV e”, o Detran muda regra todo ano… e você só quer colocar o carro no seu nome sem dor de cabeça.
A boa notícia é que o caminho não é tão complicado quanto parece. O que existe hoje são dois formatos de autorização de transferência de propriedade:
- o DUT verde, que é o documento antigo em papel moeda
- a ATPV e digital, que é a versão eletrônica usada nos documentos novos
Os dois têm a mesma função: dizer oficialmente para o Detran que aquele veículo saiu do nome de uma pessoa e passou para outra.
A diferença está na forma de emissão e de assinatura, e é isso que vamos destrinchar com calma aqui.
O que é o DUT verde, na prática?
Por muitos anos, todo carro no Brasil tinha um documento verdinho, em papel moeda, chamado CRV – Certificado de Registro de Veículo.
No verso desse documento ficava uma área específica chamada “Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo”. Esse verso preenchido, com firma reconhecida, é o que todo mundo passou a chamar de DUT verde.
Se o seu veículo ainda tem esse documento físico guardado em casa, em bom estado, sem rasuras e sem nenhuma anotação de venda anterior, ele continua valendo.
Isso significa que você não é obrigado a migrar para o sistema digital só porque ouviu falar de ATPV e. Pode, sim, transferir usando o documento em papel.
O problema é quando o DUT verde é perdido, rasgado, molhado, rasurado ou já foi preenchido em uma venda que nunca foi concluída.
Nesses casos, costuma ser necessário solicitar segunda via e, em muitas situações, o Detran já aproveita para migrar o veículo para o modelo mais novo, com documento digital e ATPV e.
O que é a ATPV e digital?
A ATPV e digital é a evolução do DUT verde. A sigla significa Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo em meio eletrônico.
Em vez de ter um papel moeda único, que você precisa guardar a sete chaves, o veículo passa a ter um registro eletrônico associado ao CRLV-e (documento digital de licenciamento).
Funciona assim: quando o proprietário decide vender o carro, ele acessa o sistema do Detran do estado ou o aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT). Lá dentro, ele pede a emissão da ATPV e, informa os dados do comprador e, a partir disso, o sistema gera a autorização de transferência.
Dependendo do estado, essa ATPV e pode ser:
- totalmente digital, assinada pelo gov.br, ou
- emitida em PDF para ser impressa e levada ao cartório, muito parecida com o velho DUT verde, só que gerada pelo sistema
O objetivo é o mesmo: garantir que só o verdadeiro proprietário consiga autorizar a mudança de titularidade e que o Detran tenha o registro dessa autorização.
Em 2025, o que eu uso: DUT verde ou ATPV e?
Essa é a dúvida que aparece todo dia em pesquisa de Google e grupos de WhatsApp.
O raciocínio é simples:
- Se o carro ainda tem o CRV verdinho, nunca foi emitida segunda via e o documento está perfeitinho, você pode usar o DUT verde. É o caminho mais direto, e o Detran ainda aceita esse formato.
- Se você perdeu o CRV, já tirou segunda via, ou se o carro é mais novo e só tem documento digital (CRLV-e), então você vai usar a ATPV e digital. Nesse caso, todo o processo começa no sistema do Detran ou no aplicativo CDT.
Não existe “mais certo” ou “mais errado” entre um e outro. O que existe é o modelo que está vinculado ao seu veículo. É isso que manda na hora de transferir.
Como transferir veículo com DUT verde (documento antigo)
Vamos imaginar que você vai vender um carro de 2012, por exemplo, que ainda tem o CRV verdinho em casa.
O passo a passo é esse:
1. Conferir dados e estado do documento
Antes de pegar caneta e sair preenchendo, pare um minuto para olhar o documento com atenção:
- O nome do proprietário está correto?
- A placa confere com o veículo?
- O chassi e outras informações batem com o que aparece no documento de licenciamento e na consulta do Detran?
- O DUT não está rasgado, amassado demais, molhado, apagado ou com rasuras?
Se estiver tudo ok, você pode usar esse documento. Se notar algo estranho, o ideal é procurar o Detran antes de preencher, para não correr o risco de o documento ser recusado.
2. Preencher o verso do DUT
No verso do CRV há um quadro próprio para a Autorização de Transferência.
Ali você vai escrever, com calma:
- Nome completo do comprador
- CPF
- Endereço
- Data da venda
- Em alguns estados, também o valor da negociação
É importante escrever com letra legível, de preferência usando caneta azul ou preta, e tomar cuidado para não riscar, emendar ou corrigir com “branquinho”.
Se o documento ficar com aparência de rabiscado, o Detran pode simplesmente não aceitar.
3. Reconhecer firma em cartório
Documento preenchido, hora de “oficializar” essa venda.
O vendedor leva o DUT até um cartório de notas e faz o reconhecimento de firma por autenticidade.
Significa que ele assina na frente do atendente, que confere a assinatura com o cartão de autógrafos e atesta que é mesmo aquela pessoa.
Alguns estados pedem também assinatura e reconhecimento de firma do comprador, outros não. Essa regra é local; vale consultar o Detran ou o próprio cartório.
Esse passo é crucial porque, sem o reconhecimento de firma, o Detran entende que a venda não foi formalizada.
4. Comunicar a venda ao Detran
Depois de reconhecer firma, o vendedor não deve ficar com o DUT guardado esperando o comprador resolver a transferência quando der vontade.
O caminho mais seguro é fazer a comunicação de venda ao Detran:
- em alguns estados, o próprio cartório envia os dados automaticamente
- em outros, o antigo dono precisa acessar o site do Detran ou ir até um posto de atendimento e formalizar essa comunicação
Isso protege o vendedor de possíveis problemas, como multas de excesso de velocidade, falta de licenciamento e até envolvimento em crimes cometidos com o veículo depois da venda.
Se a comunicação de venda foi feita, o Detran sabe que, a partir daquela data, a responsabilidade é de quem comprou.
5. Transferência em nome do comprador
Com o DUT verde devidamente preenchido e com firma reconhecida, a bola passa para o lado do comprador.
Ele precisa:
- agendar ou realizar a vistoria do veículo no Detran ou em empresa credenciada (ECV)
- pagar as taxas de transferência, eventuais multas em aberto e o licenciamento, se estiver vencido
- apresentar toda a documentação exigida (DUT, documentos pessoais, comprovante de endereço, laudo de vistoria, comprovantes de pagamento)
Depois de analisado e aprovado, o Detran conclui a transferência e emite o documento do veículo já no nome do novo proprietário.
Em muitos estados, esse novo documento já vem na forma digital (CRLV-e), acessado por aplicativo.
Como transferir veículo com ATPV e digital
Agora vamos olhar o cenário mais atual, que é o do veículo com documento digital.
Nele, você não tem mais o CRV verdinho, e sim o CRLV-e, acessado pelo app ou pelo site.
1. Gerar a ATPV e
O primeiro passo é o proprietário atual entrar no sistema:
- pelo site do Detran do estado, ou
- pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), usando a conta de acesso gov.br
Lá dentro, ele encontra a opção de “Iniciar transferência” ou “Emitir ATPV-e”.
O sistema vai pedir os dados do comprador: nome, CPF ou CNPJ, documento, possivelmente o valor da venda e outras informações.
Depois de preenchido, o sistema gera a Autorização de Transferência, que pode ser:
- um documento eletrônico para assinatura digital
- um PDF para impressão e posterior reconhecimento de firma em cartório
2. Assinar a ATPV e
Aqui é onde as coisas variam de um estado para outro.
Em alguns locais, tanto vendedor quanto comprador conseguem assinar tudo digitalmente, dentro do sistema, usando a conta gov.br com nível de segurança adequado (geralmente prata ou ouro).
Nesse caso, não há papel, nem cartório, nem reconhecimento físico de firma.
Em outros estados, ainda é necessário:
- imprimir a ATPV e
- levar ao cartório
- assinar na frente do atendente
- reconhecer firma de vendedor (e às vezes de comprador também)
Repare que, mesmo com documento digital, muitos Detrans mantêm parte do processo tradicional por questão de segurança e padronização.
3. Vistoria, pagamento e conclusão
Depois que a ATPV e está gerada e assinada, o processo fica parecido com o do DUT verde:
- o comprador agenda a vistoria do veículo
- quita IPVA, multas e taxas de transferência
- protocola os documentos (física ou digitalmente, dependendo do estado)
Ao final, o Detran valida a transferência e libera o CRLV-e já no nome do novo proprietário.
Tudo passa a ser consultado pelo app ou portal, sem documento em papel.
Dúvidas comuns sobre DUT verde, ATPV e e documento digital
“O que é ATPV e, ATPV-e digital, ATPV e verde?”
Na internet aparecem várias variações: “atpv e”, “atpv digital”, “atpv e verde”…
No fundo, está todo mundo falando da mesma coisa: a autorização de transferência de propriedade em formato eletrônico.
O que muda é:
- algumas pessoas escrevem com traço, outras não
- alguns Detrans imprimem em papel com fundo esverdeado, o que lembra o antigo DUT verde
- e isso acaba gerando confusão nos nomes
Mas a função é sempre a mesma: servir de base para o Detran registrar a mudança de proprietário.
“Perdi o DUT verde, consigo transferir mesmo assim?”
Consegue, mas não dá pra usar o documento perdido.
O caminho é:
- solicitar segunda via do CRV no Detran
- regularizar eventuais débitos (IPVA, multas, taxas)
- em muitos casos, o Detran já emite essa nova via no modelo digital, então você passa a trabalhar com ATPV e, e não mais com o papel verdinho
Por isso é tão importante guardar o DUT verde em local seguro enquanto ele ainda é o documento “original” do veículo.
“Qual é melhor: DUT ou ATPV e?”
Para o Detran, os dois têm o mesmo peso.
Para você, na prática, o que importa é:
- qual modelo está ativo para o seu veículo
- e qual procedimento o Detran do seu estado adotou para cada modelo
Não há “melhor” ou “pior”. Há o que está em vigor no seu caso específico.
Por que consultar o histórico antes de transferir
Até aqui falamos muito da parte burocrática da transferência.
Mas existe um outro lado, que muita gente só lembra quando já é tarde: o histórico do veículo.
Quando você compra um carro, não está levando só o bem físico. Está levando tudo o que já aconteceu com ele:
- sinistros de grande monta
- passagem por leilão
- processos judiciais envolvendo o veículo
- trocas suspeitas de chassi ou motor
- débitos que ainda não apareceram no Detran
E o ponto é: o Detran não mostra tudo isso.
Ele mostra licenciamento, IPVA, multas e algumas restrições.
Mas não costuma detalhar, por exemplo, que aquele carro foi de leilão de seguradora com perda grande ou que tem número de motor divergente em bases privadas.
É aqui que uma consulta veicular completa pela placa faz diferença.
Com a Consulta Master da Trakcar, você pode verificar detalhes como:
- Verifique o Histórico Completo: A Consulta Master da Trakcar, fornece um panorama geral do veículo, essencial para identificar se ele tem histórico de leilão, sinistros, débitos, restrições, pendencias, etc.
- Identifique Passagem por Leilão: A Consulta de Leilão, informa se o veículo já foi a leilão e, em muitos casos, a origem (financeira, seguradora), indicando o nível de dano (Monta), nível de risco
- Detecte Restrições Judiciais: A Consulta de Restrição Judicial, revela se o carro possui bloqueios que impediriam a transferência.
- Alerta de Roubo e Furto: A Consulta de Roubos e Furtos, garante que você não está comprando um veículo ilegal.
- Confirme Financiamento: A Consulta de Financiamento, verifica se já está quitado, se há alienação fiduciária, que precisa ser baixada para a transferência.
- Acesse Dados Cadastrais: A Consulta de Dados Cadastrais, permite confirmar informações originais do veículo e proprietário para saber quem é o real dono do veículo, além de débitos e restrições.
- Valide Chassi e Motor: A Consulta de Chassi e Motor, verifica e compara o numero do motor e do chassi para saber se são riginais ou foram trocados, alem de ajudar a identificar clonagens e possíveis adulterações
- Ferramenta para Profissionais Automotivos: Esta consulta abrangente oferece um relatório detalhado e ferramentas para profissionais automotivos avaliarem e preencherem laudos cautelares com precisão.
Para quem é totalmente leigo, isso é o que separa um “negócio da vida” de um problema caro e demorado.
Para lojistas, despachantes, vistoriadores e peritos, o relatório vira ferramenta de trabalho: ajuda a decidir se vale a pena comprar o carro, quanto pagar e como montar um laudo bem embasado.
Fechando: DUT verde ou ATPV e, o que importa é transferir com segurança
Resumindo tudo:
- Se o seu veículo ainda tem o documento verdinho (DUT) em bom estado, você pode usá-lo para transferir, seguindo os passos de preenchimento, cartório, comunicação de venda e transferência.
- Se o seu carro já está no modelo digital, com CRLV-e, você vai usar a ATPV e, que nasce dentro do sistema do Detran ou do aplicativo CDT e pode ser assinada digitalmente ou em cartório, conforme a regra do estado.
Em qualquer dos caminhos, não esqueça de duas coisas:
- Respeitar prazos: em muitos estados, o comprador tem 30 dias para concluir a transferência depois da assinatura. Passou disso, pode ter multa.
- Consultar o histórico antes de assinar: DUT preenchido e ATPV e emitida significam que a responsabilidade está, aos poucos, indo para o seu CPF.
Antes de se comprometer com um carro, vale muito mais a pena gastar alguns minutos fazendo uma consulta detalhada pela placa do que descobrir depois que aquele “negócio imperdível” veio com leilão, sinistro pesado ou bloqueio judicial escondido.
Se quiser, depois posso montar um box de CTA específico com link para a Consulta Master da Trakcar e um parágrafo bem persuasivo para encaixar no meio ou no final do texto.



